Júlio Shimamoto, Gedeone Malagola, Emir Ribeiro, Elmano Silva, Edu Manzano, Adauto Silva, Allan Goldman -- em comum, todos possuem material publicado pela Júpiter II. Voltada para o material de produção nacional, ocupando uma lacuna deixada pelas editoras mais tradicionais, a Editora de Salles e Manzano segue desbravando o território e angariando leitores onde for possível encontrá-los.
Como surgiu a Editora Júpiter II? Ela é fruto da evolução de outro projeto editorial chamado SM editora, não é? Fala pra gente um pouquinho desse surgimento.
Salles: Na verdade, SM Editora (atual Júpiter II) é uma extensão de meu trabalho como fanzineiro. Quando eu e Edu Manzano lançamos o primeiro número do Máscara Noturna (agosto de 2005) eu já era fanzineiro há mais de dez anos. E até hoje, a maioria dos parceiros e colaboradores da Júpiter II, são artistas que conheci durante os anos de fanzinagem - incluindo aí os mestres Gedeone e Shimamoto. O que aconteceu é que a partir dali começamos a dar melhor acabamento gráfico para as publicações, e aumentar consideravelmente nosso público.
Como são escolhidas as capas das revistas e quem desenvolve os logotipos e anúncios? Há uma equipe pra isto?
Salles: O logotipo da Júpiter II quem bolou foi o Laudo Ferreira Jr., grande amigo e parceiro, que já colaborou com HQs e capas também. Eu fiz a maioria dos anúncios, Edgar Franco fez um, e Wellington Santos fez outro. Sobre as capas, por vezes eu simplesmente peço ao artistas "por favor, faça uma capa deste personagem, nesta história, etc", por vezes peço um tema específico.
De onde veio a idéia de publicar exclusivamente material produzido no Brasil?
Salles: Como foi dito, Júpiter II nada mais é do que uma extensão de minha militância fanzineira, com meus colegas, parceiros e amigos compatriotas.
Você conseguiu permissão para publicar o Raio Negro e outros personagens do Mestre Gedeone Malagola, como era o convívio com ele? Quais as versões que ele mais gostava do herói Raio Negro?
Salles: Meu convívio com Gedeone foi marcante especialmente nos três últimos anos de vida dele. Eu o conheci através de carta, onde pedia autorização para re-publicar uma HQ do Raio Negro num fanzine que eu editava. Isso por volta do ano 2000. Anos depois, ele me convidou para editar um fanzine comemorativo de 40 anos do Raio Negro, depois eu sugeri as revistas da SM Editora (atual Júpiter II, que é um nome, além da referência da nave do seriado Perdidos no Espaço, homenagem a paulistana Editora Júpiter, onde Gedeone deu os primeiros grandes passos nos comics), além de novos roteiros que escreveu e os delegou a mim, que pretendo publicar com auxílio de artistas brasileiros (coisa que já vem acontecendo a partir do número 9 da coleção). E a coisa foi indo, a parceria aumentando, com telefonemas quase diários (e é disso que sinto mais falta!) e algumas visitas que lhe fiz. Tenho até hoje grande carinho e consideração pelos familiares dele, sentimento que é recíproco. Bem, quanto as versões que Gedeone mais gostava no Raio Negro, creio que seja aquela que ele mesmo fez nos anos 60. O que ele me pedia, como pediu ao Emir Ribeiro, é que não fizesse o Raio Negro ultra-musculoso como os lamentáveis personagens Marvel/DC dos dias de hoje.
A Júpiter II está lançando um concurso cultural e vai premiar os vencedores editando seu material, essa é uma ótima oportunidade pros novos desenhistas mostrarem seu talento e montarem um portfólio. Como vai funcionar o concurso?
Salles: Pois é, os interessados devem fazer um desenho, ou mais de um, depois os trabalhos serão julgados por três artistas dos Quadrinhos (Laudo Ferreira, Edu Manzano e Douglas Félix) e os três melhores receberão cada um 10 gibis da Júpiter II. Quem pensou em fazer esse concurso foi o amigo Jota Silvestre, por isso, maiores informações no sítio www.papodequadrinho.com.br, que é mantido pelo Jota Silvestre. (nota: O link para o regulamento completo do concurso está no fim da entrevista)
Como começou sua relação com as Histórias em Quadrinhos?
Salles: Aprendi a ler com os gibis da Ebal, ainda na década de 70. Um sebo na cidade de São José do Rio Preto/SP tinham aos montes gibis da Ebal (o mesmo acontece hoje em dia, com os formatinhos da Abril). E tive sorte, pois pertenço a última geração que teve acesso aos personagens clássicos como Tarzan, Zorro, Mandrake, Fantasma, Flash Gordon, Príncipe Valente, Dick Tracy e tantos outros, hoje totalmente sumidos das bancas.
A cada dia aumenta quantidade de versões digitais das revistas em quadrinhos, mas as versões impressas continuam exercendo fascínio nos leitores a que você atribuiria esse fascínio?
Salles: O fascínio ainda permanece pois muitos dos leitores de hoje, o nosso caso por exemplo, começamos a ler gibis de papel e é difícil deixar isso de lado. Com o passar dos anos, creio que as novas gerações vão ler diretamente nas telas, o que cedo ou tarde vai determinar o fim das publicações impressas. Só espero que, quando esse dia chegar, eu já esteja passeando pelos espaços infinitos...
Como você vê a relação do quadrinho impresso com o mundo digital?
Salles: Bem, por enquanto um pode ajudar a divulgar o outro, né? Veja que curiosa inversão de tendência que representa um dos títulos mais lidos da Júpiter II, o Boca do Inferno.com, que já está no número 4. Foi criado a partir do sítio internético, que já existia bem antes da versão em Quadrinhos.
A Editora Júpiter II possui um canal direto com os leitores através do blog. Vocês tem um bom retorno das opiniões dos leitores pelo blog?
Salles: Não, a repercussão na internet é pífia, creio que a maioria dos internautas fãs de Quadrinhos não se interessam pelo que estamos fazendo. Mas claro que todos que nos procuram são atendidos com toda atenção.
Como surgiu a idéia de publicar o Comando V, de Allan Goldman?
Salles: O Allan fez o desenho daquela belíssima capa para o Boca do Inferno.com n.4, depois ele mesmo me apresentou o Comando V, como se tratava de material de excelente qualidade, não tive dúvidas em publicar. E, principalmente, apesar de até agora nosso breve contato, o cara se mostrou gente finíssima.
Salles, obrigado pela entrevista e parabéns pelo trabalho que você tem desenvolvido com a Editora Júpiter II.
Salles: Obrigado a você, por conceder espaço para eu falar a vontade, Estupendo JJ!
Para mais informações sobre os títulos e lançamentos da Júpiter II, visite:
http://jupiter2editora.blogspot.com/
Contato e pedidos de exemplares:
smeditora@yahoo.com.br
Desafio Cultural Júpiter II
http://www.papodequadrinho.com/2009/09/o-papo-de-quadrinho-em-parceria-com.html
Júpiter II editora
Caixa postal 95 - Jau
São Paulo/SP
CEP - 17201-970 (Brasil)





















Excelente entrevista!
É muito bom saber, que existem editores que investem no quadrinho nacional.
Salles, vida longa à Jupiter II !!!
Comprei um exemplar na Fanzine e achei boa a revista. A cor da capa é muito bem feita e os desenho de dentro também. A edição podia traser uns desenhos extras, coisa de maquing off.