Quadrinho Nacional & Super-Herói Nacional!

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Moacy Cirne à procura das características de um herói genuinamente brasileiro em artigo para a "Revista de Cultura Vozes" citava o Judoka, afirmando que o fato de suas aventuras se passarem em solo brasileiro não fazia com que o personagem encontrasse reflexo numa estrutura ideológica brasileira e em oposição cita Macunaíma e o Saci-Pererê. De fato, a sociedade brasileira estruturada em cima de valores dúbios e acostumada a governantes corruptos talvez merecesse um herói 'sem caráter', cínico e de valores morais questionáveis ou um Saci cujo mito foi erguido em cima de travessuras irreverentes e irresponsáveis. É comum à intelectualidade o mero questionamento dos valores enquanto se exime de oferecer opções e soluções.

 

De fato as aventuras do Judoka se passam em território brasileiro, assim como se dá com várias aventuras do italiano Mister No. Isso não faz com que o personagem da Bonelli se caracterize como um herói do quadrinho nacional, entretanto em favor do Judoka contam os fatos de ter sido publicado visando o público brasileiro, tendo sido criado por autores e editora (EBAL) brasileiros. Suas cores estampavam as da bandeira nacional e o cenário (subestimado por Cirne) refletiam a sociedade brasileira, suas cidades e sua cultura. Teria sido o Brasil destinado por uma maldição da intelectualidade, condenado a negar valores como a coragem, a honra e a justiça, apenas porque o cinismo do pensamento oriundo da influencia do marxismo histórico não admite que um símbolo possa simplesmente almejar representar o bem. Estaríamos nós leitores brasileiros condenados a não poder criar e desenvolver personagens dentro do gênero Super-herói pelo simples fato do gênero ter se desenvolvido num país de conduta imperialista, como os Estados Unidos da América? Estariam os alemães proibidos a desenvolverem Histórias em Quadrinhos de cangaço pelo simples fato de não estarem inseridos na cultura nordestina? Se assim fosse, estaria um autor qualquer ideologicamente impedido de criar aventuras em mundos de fantasia ou em planetas de paisagens exóticas simplesmente porque não haveria alinhamento entre este autor e seu tema.

 

Judoka é sem a menor sombra de dúvidas um dos melhores exemplos de Super-Herói Nacional, queiram ou não os textos criptografados da elite intelectual. E ainda mais: queiram ou não os pseudo-marxistas, os leitores brasileiros de qualquer faixa etária tem o direito de também possuírem seus heróis! Seja na forma do Pererê bom caráter de Ziraldo, seja na forma do caipirinha boa praça que é o Chico Bento de Maurício de Sousa, seja do tradicional e imponente Cometa de Samicler Gonçalves. O Brasil precisa de heróis e os quadrinhos brasileiros possuem heróis! E mais que meros heróis de ficção, os heróis brasileiros são reflexo das posturas de coragem e audácia de seus autores que se mantém de pé diante de um monopólio de distribuição e edição de revistas que privilegiam o material importado cujos editores mostram-se mercenários em sua maioria.

 

Seria o Quadrinho Nacional apenas um rótulo? Ou este termo existe para dar conta de um elemento que é fato material. Se levarmos em conta toda a produção dos estúdios Maurício de Sousa, já temos uma resposta. Mas faz sentido ver além das fronteiras do sucesso de público e vendas. No submundo editorial há centenas de pequenos artistas e editores dando conta de também fazerem registrar em arte sequecial a existência de seus personagens e universos gráficos e é desse "submundo editorial" que surgem novos autores, novas propostas e novas visões de quadrinho nacional em uma infinidade de gêneros e subgêneros.

 

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Se há críticas ao acabamento gráfico, às capacidades técnicas e narrativas dos nossos autores, assim o é porque a crítica existe para alertar, cutucar, incomodar, mas, sobretudo, para acordar. Só não há sentido na crítica cega que atira nos pontos negativos sem resguardar a existência dos pontos positivos. E se há comparação com o que há de enlatado nas nossas bancas é importante frisar que os enlatados passam por uma seleção de mercado antes de chegar às nossas prateleiras, as revistas de qualidade inferior normalmente não constituem material de exportação gringo.

 

A quem se questione sobre o que seja o quadrinho nacional e se há a exigência de um reflexo da cultura brasileira neste quadrinho faria sentido uma leve olhada no material produzido por Flávio Colin, Julio Shimamoto, Mozart Couto, Cedraz, Lailson Holanda e Watson Portela inicialmente, numa lista infindável de autores que já garantiram com sua colaboração para que o quadrinho no Brasil fosse mais brasileiro. Estes sim, os autores, são nossos super-heróis nacionais!





8 Comentários

De fato temos heróis e super heróis nacionais. O que questiono é por que eles não são mais queridos por aqui do que o Batman e o Goku. Acho que tem a ver com o que o público quer ler. Super heróis americanos surgiram enfrentando gangsters e nazistas. Os japoneses surgiram enfrentando ameaças nucleares e monstros do espaço. Ambos nasceram para combater males com os quais os dois países conviviam, em maior ou menor grau (exceto talvez pelos monstros do espaço). Eles surgiram de algo muito verdadeiro para o público da época e isso os fez criar raízes. Acho que um super herói brasileiro deve nascer de algo que seja verdadeiro para o nosso público. Fugindo um pouco dos quadrinhos, o personagem Capitão Nascimento de Tropa de Elite ilustra o que eu quero dizer. O cara peitou um mal contra o qual todos os brasileiros se sentem impotentes. E ele se tornou muito popular por causa disso (e por causa da distribuição de dvds pirateados também XD hehe). Essa essencia poderia ser injetada num herói de malha colorida e super poderes, e sua historia contada em quadrinhos, com toda qualidade técnica possível. Se o público alvo for o povo brasileiro em geral, imagino que teria grande chance de sucesso. Quanto às narrativas fantásticas, é inegavel o sucesso de gibis como Holy Avenger e seus derivados entre o publico jovem fã de mangá. Acredito que o motivo pra isso seja que os autores deram a esse público exatamente o que eles queriam. Na minha opinião, o caminho é esse: dar o que o público quer. Ou melhor, adequar o que voce quer contar àquilo que o público quer ver. Acredito que o quadrinhista que se sintonizar com essa fórmula vai vencer os heróis gringos igual a Monica venceu os personagens Disney no gosto do nosso público. =]

Os caras acham que o quadrinho brasileiro não pode mostrar coisas boas como justiça, bondade. Personagem brasileiro Tem que ser sujo, ladrão. Mas o que vende de quadrinho brasileiro é Maurício de Sousa, que é cheio de mensagem positiva. Isso é que precisa, coisa pra cima.

Grande JJ, belo texto, o JUDOKA é um herói de que gosto e lamento que hoje não esteja atuando. O Lene deu uma resposta bem equilibrada e coerente, assim como tb o Alberto, infelizmente ás vezes aquilo que o público deseja não é muito bom, digo que ás vezes o pensamento da maioria é voltado para algo que não é muito positivo, como o próprio capitão Nascimento, ele mostra um Brasil real, pé no chão, e não sou a favor de alienação, mas será que já não estamos e somos SOTERRADOS DE MÁS NOTÍCIAS E VIOLÊNCIA ALÉM DAQUILO QUE PODEMOS SUPORTAR?? O que ensinaremos aos que lêem os nossos quadrinhos? Que herói bom é um herói que coloca uma pistola na boca do bandido e é tão amoral e violento qto eles? Eu sei que sempre passamos a mensagem de que o bem vence o mal, que o crime não compensa, e que muitas vezes os bandidos se dão mal, ás vezes morrendo, mas é muito diferente de mostrar miolos explodindo em todas as cores e detalhes, e com o herói empapado em sangue, sorrindo e soltando uma piadinha mórbida, empunhando armas cada vez maiores, impiedosos demais, incapazes de discernir o limite entre certo e errado, e pior, incapazes de ensinar este limite aos que lêem quadrinhos. Na minha humilde opinião, a vida em sociedade deve possuir limites que já foram ultrapassados em muito pela maioria, mas não é por isso que devo fazer o mesmo. Devemos lembrar que quadrinhos são antes de tudo, uma arte que gera diversão, mas que como arte pode e deve levar a reflexão e mostra o que a humanidade tem de melhor e não de pior. GRANDE ABRAÇO AMIGO!

Fala JJ,

Na época da ditadura militar, depreciar o Brasil era ação confundida com depreciar o regime autoritarista em vigor, em função da propaganda ufanista do próprio regime.

Acontece que hoje em dia esse comportamento não se procede mais. A sociedade mudou. Se o Moacy Cirne escreveu essas besteiras na época do regime, talvez estivesse apenas querendo criticar indiretamente o governo militar, ou imitando o procedimento autodepreciativo da moda "intelectual" da época.

O texto deve ser lido conforme o seu contexto histórico. Mas se o texto é recente, então a confusão Brasil x regime militar ainda não se desfez em sua mente, o que seria lastimável.

Já para o Judoka, como se já não fosse fácil concorrer com outros superman da vida, e lutar contra o crime, ainda tinha que se sujeitar a ser alvo de ataques contrários a sua realização. Na minha opinião um desrespeito aos profissionais envolvidos que, diferentemente do idolatrado Macunaíma, deram duro para manter uma publicação nas bancas por considerável período de tempo.

O comentário a seguir é meio off topic, mas vou falar isso várias vezes, pra ver se alguém se toca: muito desenhista brasileiro não ganha respeito porque não se dá ao respeito! O cara vai falar com um editor calçando chinelinho dededo, bermudão de surf e camiseta regata.

Com isso esse cara quer ganhar que tipo de atenção? Bem, eu ia achar que o cara tava querendo esmola!

Dêem-se ao respeito para serem respeitados! Tô cansado de ir a eventos e de ver caras que querem ser profissionais fazendo cosplay de mendigo-bebum! Que saco! Isso suja a barra de todo mundo, galera! E peloamordedeus quando eviarem foto pra revistas enviem fotos decentes!!! Produzam uma foto legal! Você pode ser liso, isso é normal, mas pelo amor de Jesuizinhocristinho, o que não pode é OSTENTAR a Liseira!!! Seja pobre, mas seja limpinho!

Que coisa ridícula! Vamos aprender a ter respeito com o público também na nossa apresentação pessoal, galera! Isso suja a já péssima reputação dos desenhistas de quadrinhos.
E PELOAMOR DE DEUS se você é aspirante a desenhista pou a qualquer coisa que seja pelo menos TOME BANHO!!!!

E isso é principalmente para os OTAKUS: TOMEM BANHO!!!!!!!!!!!
A humanidade agradece.

Lene e Alberto me desculpem postar esse desabafo logo após a opinião de vocês, ok?!

Obrigado pela atenção e espero que pelo menos pensem a respeito.

Ñ tenho muito á dizer, pois o Lene e o Braga foram muito felizes no que colocaram. Sou totalmente á favor de heróis e super-heróis brasileiros, tanto que, apesar de ñ ter publicado nada ainda, tudo que já criei até agora está voltado p/ esse gênero. O problema é que existem "críticos" que gostam de rotular e determinar o que é ou ñ é, gostam de estipular como um artista deve criar. A liberdade criativa é pertinente á cada um, quem disse que herói nacional é aquele que veste a bandeira? Ou que seja "de raiz" nacional?

AMIGOS, LEIAM MINHA ENTREVISTA NO BLOGUE PORTUGUÊS DO TEX E COMENTEM: http://texwillerblog.com/wordpress/?p=7840

Ótimo site!

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