O faneditor e ilustrador Bartomeu Martins (também conhecido como Lancelot) acaba de lançar a primeira edição de seu catálogo de heróis para download. O catálogo ricamente ilustrado traz boa parte do material disponível no HQ Quadrinhos, um blog que desde 2008 publica perfis de personagens e matérias relacionadas aos quadrinhos clássicos.
Neste primeiro volume o foco é o herói brasileiro, Bartolomeu entrevistou vários dos autores para conseguir as informações que divulga nos profiles. Outras pesquisas foram feitas via internet, coleções particulares, sebos e lojas especializadas. Reunindo dados sobre a criação dos heróis, ano de publicação, aparições, poderes e origem o escritor também infere sobre a relevância dos criadores, sua linha de trabalho e influencias. As fichas dos heróis estão dispostas em ordem alfabética e, democraticamente, o autor compilou personagens clássicos e modernos tendo sido publicados em revistas, fanzines ou internet.
O trabalho autenticamente realizado em função de sua afinidade com os quadrinhos poderia ser ainda mais específico e ainda mais detalhado, entretanto há de se observar que foi feito sem fins lucrativos e por um único autor.
Um show à parte no catálogo são as belas ilustrações de Lancelot que apresentam os personagens em sua versão mais clássica e visual original e algumas vezes uma versão modernizada.
Os personagens brasileiros de HQs normalmente morrem junto com seus autores. Ficam eternizados nas HQs publicadas, mas após o falecimento do criador jamais reaparecem em novas HQs ou em publicações (exceto alguns raríssimos casos e mesmo assim todos ligados à publicações alternativas). Este é mais um entre tantos outros fatos que enfraquecem os personagens brasileiros (e não apenas aqueles do gênero Heróis Uniformizados). Se por um lado não podemos reencontrar esses personagens em novas, inéditas e atualizadas aventuras, pelo menos podemos saber de sua existência. É neste quesito em que o catálogo criado por Bartolomeu Martins ganha muitos pontos ao resgatar a memória de autores e personagens que não estão mais entre nós e que ficarão registrados na mente dos novos leitores e na história das histórias em quadrinhos graças a esta iniciativa.
Para baixar gratuitamente o catálogo clique aqui.
Para conhecer o trabalho de Lancelott e as fichas de heróis brazucas, heróis da golden age e outros artigos clique aqui.
Oficialmente se adotou o Yellow Kid do norte-americano Richard Outcault, de 1895, como marco zero para se contar a história das histórias em quadrinhos do mundo. Mas manifestações anteriores podem ser encontradas em várias partes do mundo. No Brasil, o ano era 1869 e o ítalo-brasileiro Ângelo Agostini levava para as revistas e jornais da época seus personagens em diversas situações de humor e aventura com "As aventuras de Nhô-Quim e Zé Caipora". Em homenagem a este pioneiro da Arte Seqüencial brazuca foi criado o dia do Quadrinho Nacional e anualmente esta data trás consigo um festejo aliado à vontade de reconfigurar o cenário da produção brasileira em algo mais sólido e substancial.
Ângelo Agostini era pintor, desenhista, crítico de arte e, porque não dizer, crítico social. Em seu traço marcante retratava a vida nos tempos do Segundo Império e da embrionária República. O Quadrinho Nacional mantém ligações estreitas com a hoje histórica produção de Agostini, seja no caráter de crítica social, hoje abraçado pelas Charges, seja no traço rebuscado que encontra reflexo nas ilustrações, seja nas narrativas de aventura presente na produção dos quadrinhos modernos. Comemoramos o dia 30 de janeiro em homenagem a um autor que foi criativo e versátil antecipando o que hoje é necessário àqueles que resolvem abraçar o quadrinho como expressão artística. Mais que um dia dedicado aos Quadrinhos é, este, um dia dedicado ao Quadrinho NACIONAL com todas as suas dificuldades de produção e veiculação, com toda a concorrência desleal com os enlatados japoneses, norte-americanos ou europeus. Não é a questão de detratar as republicações estrangeiras, mas é de observar que há artistas e há produção nacional resistindo seja ela manifestada nos sucessos editoriais de Maurício de Souza, Angeli, Laerte, Laudo, André Diniz seja na humilde mas incansável produção independente. Seja veiculada em fanzines, internet, álbuns de luxo ou revistas de linhas o dia 30 de Janeiro é o dia de lembrar que a produção Nacional existe e precisa ser vista!





















