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Um Catálogo de Heróis !

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catalogovol01.jpg       O faneditor e ilustrador Bartomeu Martins (também conhecido como Lancelot) acaba de lançar a primeira edição de seu catálogo de heróis para download. O catálogo ricamente ilustrado traz boa parte do material disponível no HQ Quadrinhos, um blog que desde 2008 publica perfis de personagens e matérias relacionadas aos quadrinhos clássicos.

       Neste primeiro volume o foco é o herói brasileiro, Bartolomeu entrevistou vários dos autores para conseguir as informações que divulga nos profiles. Outras pesquisas foram feitas via internet, coleções particulares, sebos e lojas especializadas. Reunindo dados sobre a criação dos heróis, ano de publicação, aparições, poderes e origem o escritor também infere sobre a relevância dos criadores, sua linha de trabalho e influencias. As fichas dos heróis estão dispostas em ordem alfabética e, democraticamente, o autor compilou personagens clássicos e modernos tendo sido publicados em revistas, fanzines ou internet.

      O trabalho autenticamente realizado em função de sua afinidade com os quadrinhos poderia ser ainda mais específico e ainda mais detalhado, entretanto há de se observar que foi feito sem fins lucrativos e por um único autor.

      Um show à parte no catálogo são as belas ilustrações de Lancelot que apresentam os personagens em sua versão mais clássica e visual original e algumas vezes uma versão modernizada.

Os personagens brasileiros de HQs normalmente morrem junto com seus autores. Ficam eternizados nas HQs publicadas, mas após o falecimento do criador jamais reaparecem em novas HQs ou em publicações (exceto alguns raríssimos casos e mesmo assim todos ligados à publicações alternativas). Este é mais um entre tantos outros fatos que enfraquecem os personagens brasileiros (e não apenas aqueles do gênero Heróis Uniformizados). Se por um lado não podemos reencontrar esses personagens em novas, inéditas e atualizadas aventuras, pelo menos podemos saber de sua existência. É neste quesito em que o catálogo criado por Bartolomeu Martins ganha muitos pontos ao resgatar a memória de autores e personagens que não estão mais entre nós e que ficarão registrados na mente dos novos leitores e na história das histórias em quadrinhos graças a esta iniciativa.

Para baixar gratuitamente o catálogo clique aqui.

Para conhecer o trabalho de Lancelott e as fichas de heróis brazucas, heróis da golden age e outros artigos clique aqui.

HQs de Cangaceiros!

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     A canga é uma peça de madeira que prende o boi à carroça ou à moenda facilitando o uso de sua força para trabalhos variados. Dito isto, fica fácil pensar nos cangaceiros como homens revoltados com a "canga" imposta por uma vida de dores e sofrimentos, ou em homens aptos a impor por meio da força bruta a "canga" sobre outros. A entrega dos homens ao banditismo no sertão brasileiro deu-se inicialmente em meados do século 18, num contexto social onde imperavam a falta de perspectiva, a miséria e a fome física aliada à de justiça. Esse cenário cheio de contradições e possibilidades inspirou (e inspira até hoje) inúmeros romances, filmes e histórias em quadrinhos.

 

     É interesante ver o fascínio que o cangaço (como tema e gênero notadamente brasileiro) exerce sobre artistas de diferentes origens e culturas, desde o alemão Hermman aos italianos Sérgio Bonelli e Hugo Pratt. Seja pela crueldade, seja pelos ares de revanchismo que assumem, as ações dos bandoleiros do sertão nordestino adquirem tons e formas distintas em cada versão artística proposta. Gedeone Malagola, por exemplo, quadrinizou as aventuras de um cangaceiro inspirado pelo ator Milton Ribeiro, do filme "O Cangaceiro" de 1954 que teve roteiro de Raquel de Queiroz. O paraibano Emir Ribeiro, em 1979, criou Severino, um agricultor que entra para o cangaço no intuito  vingar sua falecida esposa morta nas mãos de cruéis fazendeiros. O Lampião tradicional ganha uma versão ímpar nos desenhos vigorosos e estilizados de Flávio Colin na obra "Mulher-Diaba no rastro do Lampião", definitivamente um clássico das HQs brazucas. Jô Oliveira no álbum "A guerra do Reino Divino" não ignora a importância dos cangaceiros para se pensar a história e a narrativa nordestina e é a hisória verídica de Virgulino Ferreira que aparece em "Lampião, era o cavalo do tempo atrás da besta da vida" de Klévison Viana.

 

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     Nem todos os autores tratam o tema com o mesmo tom. Henfil transferia para seu cangaceiro, Zeferino, sob a égide do humor, pesadas críticas à sociedade brasileira e suas relações de poder. Ainda no humor, entretanto num tom mais ameno, o Xaxado de Cedraz também apresenta seus momentos de crítica e mostra-se um personagem versátil em HQs, tiras e material institucional. O Capitão Rapadura do cartunista Mino, este também de maneira humorada, mistura um visual inspirado pelos cangaceiros nordestinos com o gênero super-herói.

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     O mineiro Mozart Couto e o pernambucano Watson Portela foram responsáveis por uma releitura interesante do visual e cenários do gênero cangaço fazendo uso do tipo inserido em contextos de fantasia ou de ficção científica.

 

     Em leituras recentes o genero aparece em "Cangaceiros, homens de couro" que tem roteiro de Wilson Vieira, desenhos de Eugênio Colonnese e capa de Mozart Couto. A trama retoma a trajetória da vida de Virgulino.

 

    O Cabeleira adaptado do romance homônimo de Franklin Távora ganha vida nos quadrinhos pelo trabalho da equipe formada por Leandro Assis, Hiroshi Maeda e Allan Alex, os dois primeiros, roteiristas e este desenhista. Fora a qualidade intrínseca do texto há que se observar o ótimo uso dos recursos da narrativa do quadrinho. E é na narrativa criativa e na inovadora união entre cordel e quadrinhos que o cangaceiro Bravo Jan acerta em cheio materializado pela arte de Anilton Freires e texto de Alex Magnus.

 

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     Se houvesse uma cadência constante na publicação de títulos nacionais o gênero cangaço muito provavelmente integraria uma boa porcentagem dessas publicações já que dentro do cenário geral do que historicamente tem sido publicado de quadrinhos no Brasil o cangaço ocupa um espaço nobre.

 

    Os títulos e autores aqui citados são apenas um apanhado geral, uma iniciativa  de listar por amostragem alguns cangaceiros criados para os quadrinhos, provavelmente muita coisa ficou de fora. Se você conhece outros autores e personagens que gostaria de acrescentar à lista citada deixe a dica nos comentários que ficaremos muito gratos e com isso podemos preparar um material complementar a este.


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Yeshua - assim em cima assim embaixo!

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Quem pensa que quadrinho brasileiro é um mar de rosas definitivamente não conhece a nossa realidade editorial. Para produzir um álbum com integridade autoral, sem as mutilações típicas de alguns editores há que se arcar com certas dificuldades. E todas as dificuldades foram superadas pela dupla Laudo e Omar na produção do álbum Yeshua, com data de lançamento para este 4 de dezembro na HQMix livraria ( 19h30min na Pça Roosevelt, 1425, centro, São Paulo).

A obra, fruto de nove anos de trabalho ,encontrou na Editora Devir sua casa final antes de invadir as estantes das livrarias e comicshops brasileiras. Laudo e Omar começaram a abordagem do tema à partir do próprio evangelho e aos poucos o tratamento ficou mais pessoal. Nesta época em que se aproximam os festejos natalinos, faz muito sentido a iniciativa dos autores e editores de homenegear o personagem retratado com o lançamento do livro. Com isso o público acaba ganhando também a oportunidade de presentear amigos e parentes com a obra de Laudo e Omar.

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Quem comparecer ao evento de lançamento poderá conferir uma exposição das artes originais e um bate-papo com os autores.

Yeshuah - Assim em cima assim embaixo
Editora Devir
Lançamento 04 de dezembro
HQMix Livraria
Pça Roosevelt, 1425, centro
São Paulo SP


Personagem Gay gera polêmica !

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Na linha de frente das revistas para o público adolescente e adulto está a revista da Tina. A personagem que sempre fez o tipo antenada e moderna estrela duas revistas dos

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estúdios Maurício de Souza, uma voltada para ação e aventura e outra nos moldes mais tradicionais, com histórias sobre o cotidiano da juventude. Tina está na Faculdade fazendo novos amigos e a polêmica surge nesta edição nº06 (outubro de 2009)

 quando o personagem supostamente Gay (Caio) é apresentado aos leitores.

 

Apesar da edição ser datada de outubro, a polêmica parece continuar se expandindo e junto disto o interesse na revista. Há críticas e comentários em todos os lugares, mas não seria isto parte do papel da arte? Refletir o homem sua sociedade e sua história? Murício de Souza que já possui um vasto trabalho, inclusive social, ligado às minorias possui personagens de todos os tipos, alguém acreditaria que ele não trataria a homossexualidade com a mesma classe que trata os outros temas? A revista, que ainda pode ser encontrada em algumas bancas, já é um clássico do quadrinho e em pouco tempo deve se tornar artigo de colecionador.


 

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Não fosse a polêmica um atrativo suficiente para o leitor ocasional, a edição trás ainda uma entrevista com a atleta Diane dos Santos, um dos grandes nomes do esporte brasileiro e o Blog da Tina, uma seção onde a personagem fala de moda, de ecologia e até de suas preferências musicais. Outras duas HQs chamam atenção na revista, uma em que a Pipa emagrece após um árduo regime. E outra onde Rolo resolve acampar numa alusão ao filme "Na Natureza Selvagem", inclusive a mensagem da história é muito parecida com a do filme. Obviamente sem o personagem morrer no final.

 

Tina Nº06

Maurício de Sousa Editora &

Panini Comics

Outubro / 2009

 

QUADRINHOS

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